Produtor rural segue à frente do trabalho no campo sob cadeira de rodas

Polícia

Antes de o sol nascer em São João do Glória, distrito de Muriaé, Antônio Carlos já está de pé. Ele acorda às 4h, toma café e, por volta das 5h30, chega ao curral para cuidar das vacas e dos bezerros. Faça chuva ou faça sol, a rotina na propriedade continua.

Em 1998, Antônio Carlos foi baleado durante um assalto ao sítio e perdeu os movimentos da cintura para baixo. Sobreviveu após ficar entre a vida e a morte e precisou reorganizar a forma de trabalhar. Hoje, participa da ordenha e acompanha de perto os cuidados com o rebanho, que tem cerca de 150 cabeças de gado.

A produção diária passa de 70 litros de leite. Parte dela segue para a fabricação dos queijos feitos por sua esposa, Oneida, com uma receita passada de geração em geração. Para preparar uma unidade, são usados, em média, seis litros de leite.

Antônio Carlos conta com a ajuda de Sebastião José, funcionário que trabalha com a família há dez anos. Depois dos serviços no sítio, sobe sozinho na charrete e percorre cerca de três quilômetros até chegar em casa, onde Oneida dá continuidade ao trabalho com o leite.

A história do casal é feita de tarefas compartilhadas, madrugadas no curral e perseverança. Mais de duas décadas depois do assalto, Antônio Carlos segue fazendo o que gosta, cercado pela família e pelo trabalho que ajudou a construir sua vida.

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