Professores de Rosário da Limeira são finalistas do maior prêmio de combate à corrupção do Brasil

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Professores Felipe Briguente e Marlene Braga estão entre os cinco finalistas da categoria “Deu Certo!” com iniciativa que nasceu em 2024, foi premiada em 2025 e hoje está em execução em diferentes regiões do país

ROSÁRIO DA LIMEIRA (MG) — Uma iniciativa que nasceu dentro de uma sala de aula de Rosário da Limeira, em Minas Gerais, em 2024, acaba de alcançar o cenário nacional como finalista do 6º Prêmio INAC de Integridade, promovido pelo Instituto Não Aceito Corrupção.

Os professores Felipe Briguente e Marlene Braga, à frente do Coletivo LumoCívico e do Master ODS Nacional: Agentes da Integridade, estão entre os cinco finalistas da categoria “Deu Certo!”, que reconhece projetos anteriormente premiados e posteriormente colocados em prática com resultados positivos.

Mas a história do projeto começou muito antes da atual indicação.

Uma ideia que nasceu dentro da sala de aula

Em 2024, o professor Felipe Briguente começou a desenvolver, dentro da escola, os primeiros rascunhos de uma proposta voltada à sustentabilidade, cidadania e formação dos estudantes. Durante a gestão da professora Marlene Braga como diretora, a iniciativa foi testada no ambiente escolar e ganhou sua primeira experiência prática.

A proposta inicial tinha uma identidade diferente da atual. O projeto foi desenvolvido e posteriormente apresentado como Guardiões da Integridade, com uma abordagem que relacionava educação, sustentabilidade e cidadania.

A experiência foi então transformada em uma pesquisa e apresentada como um estudo de caso ao Prêmio INAC de Integridade.

Em 2025, o projeto Guardiões da Integridade chegou à final da categoria Academia, conquistando o 4º lugar.

O reconhecimento abriu uma nova etapa.

Da pesquisa à reformulação

A partir da experiência adquirida e do reconhecimento obtido em 2025, Felipe Briguente e Marlene Braga realizaram uma nova reestruturação do projeto.

A proposta deixou de ser apenas uma experiência escolar e passou por uma reformulação metodológica, com o desenvolvimento de uma nova arquitetura para sua aplicação em escala nacional.

Foi nesse processo que nasceu o Master ODS Nacional: Agentes da Integridade.

A nova versão preservou a essência da experiência original, mas ampliou seus objetivos, reorganizou suas metodologias e transformou o projeto em um programa estruturado de formação, investigação e ação.

Em 2026, essa nova proposta saiu do campo da pesquisa e passou efetivamente à prática.

É justamente essa trajetória que explica a presença do projeto na categoria “Deu Certo!”.

O regulamento do Prêmio INAC estabelece que a categoria é destinada a projetos que já haviam sido premiados em edições anteriores e que posteriormente foram colocados em prática, apresentando resultados positivos.

Uma espécie de “Olimpíada” da integridade

Na edição atual, o Master ODS Nacional funciona em formato híbrido e combina formação online, investigação, ações territoriais e competição.

As equipes participantes recebem formações e conteúdos relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, sempre estabelecendo uma relação entre os ODS e o impacto da corrupção sobre o desenvolvimento social.

Depois da formação, os estudantes levam o conhecimento para seus próprios territórios e desenvolvem ações práticas.

A dinâmica funciona de maneira semelhante a uma olimpíada educacional. As equipes acumulam pontuação ao longo das semanas, a partir das atividades, ações e entregas realizadas. Ao final da jornada, a equipe que alcançar a maior pontuação será declarada vencedora.

A edição 2026 reúne 14 equipes, vinculadas a 12 escolas, distribuídas por 11 cidades, oito estados e três regiões brasileiras.

O programa foi selecionado a partir de 41 equipes inscritas, das quais 14 foram escolhidas para participar da edição nacional.

Formação que vira ação

Um dos diferenciais do Master ODS Nacional é fazer com que o conteúdo aprendido pelos estudantes não permaneça apenas no ambiente virtual.

O programa utiliza a metodologia D.I.A., baseada em três movimentos: Diagnosticar, Investigar e Agir.

Os estudantes identificam problemas relacionados à corrupção e à sustentabilidade em seus territórios, investigam dados e fontes públicas e, posteriormente, desenvolvem ações concretas para enfrentar os problemas identificados.

A jornada é organizada em torno dos 17 ODS. A cada semana, as equipes estudam um dos objetivos e desenvolvem uma ação territorial relacionada ao tema.

Ao longo das 17 semanas, as 14 equipes deverão produzir aproximadamente 238 ações de combate à corrupção, distribuídas pelos 17 ODS.

O programa também foi estruturado para ser replicável e escalável, com metodologia documentada, formato híbrido e possibilidade de aplicação por outras escolas, redes de ensino, organizações e governos.

Da experiência local a uma iniciativa nacional

Para o professor Felipe Briguente, a indicação à categoria “Deu Certo!” representa o fechamento de um ciclo iniciado dentro da escola.

“O mais significativo dessa conquista é perceber que o projeto não nasceu pronto. Ele nasceu em uma sala de aula de Rosário da Limeira, foi experimentado, passou por uma pesquisa, foi reconhecido nacionalmente e, a partir desse reconhecimento, foi novamente transformado. Hoje, aquilo que começou como uma experiência escolar está sendo colocado em prática por estudantes de diferentes regiões do Brasil.”

A professora Marlene Braga, que participou da trajetória desde a origem do projeto, também integra a coordenação da iniciativa em sua atual configuração.

Para os coordenadores, a trajetória demonstra que uma experiência desenvolvida em uma escola de um pequeno município pode ser transformada em uma metodologia de alcance nacional, sem perder sua origem e seu propósito.

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